segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Programa permanente de controle da dengue na UNB/Informações atuais






Sábado, 15 de janeiro de 2011 08:00

Programa permanente de controle da dengue na UnB começa a virar realidade

Escrito por Renan Apuk
Foto por Rafael Oliveira
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Alunos recebem instruções antes de saírem em busca
de focos do mosquito da dengue
O Departamento de Saúde Coletiva da Faculdade de Ciências da Saúde em parceria com o Decanato de Extensão da UnB deu início nesta sexta-feira, 14, ao mapeamento das potenciais áreas de formação de focos do mosquito da dengue no campus Darcy Ribeiro. Cerca de 40 estudantes da disciplina de Práticas de Saúde, saíram a campo para identificar pontos críticos nos principais prédios da Universidade.
A atitude foi o pontapé inicial para colocar em prática um programa de prevenção e combate à doença, planejado em reunião realizada no dia 7 de janeiro na Prefeitura do Campus. Na ocasião um comitê especializado reconheceu a necessidade da adoção de políticas de relacionamento com estudantes e servidores para aperfeiçoar o tratamento dado ao assunto.
Até então o combate a focos do mosquito era feito diariamente por apenas dois funcionários e quase sempre da seguinte forma: o indivíduo que suspeitasse do risco ligava para a Prefeitura, que por sua vez enviava ao local um funcionário para aplicar o larvicida. Nunca bastou. O mapeamento é o símbolo da nova estratégia.
Melhor prevenir do que envenenar
No trabalho de campo, conversando com a comunidade acadêmica e analisando a estrutura dos lugares, os grupos de alunos identificaram, fotografaram e localizaram não só focos já existentes, mas também objetos e ambientes propícios ao abrigo de larvas de mosquitos. Pelo menos os visíveis.
O professor responsável pela coordenação da ação, Márcio Florentino, admitiu que a arquitetura da Universidade é um dos principais dificultadores no reconhecimento dos lugares de risco. “Os telhados planos da maioria dos prédios são ótimos pontos de retenção de água. O próprio prefeito do Campus, Paulo Cesar Marques, afirmou na nossa reunião que sobre o prédio da reitoria há uma poça enorme. Lá pode haver um criadouro. Mas não podemos ver nem agir diretamente para escoar a água de lá”, lembrou aos estudantes.
Com o mapeamento pronto, a ideia é apresentar a proposta à Secretaria de Saúde do DF, para que esta informação possa facilitar o combate à dengue no ambiente particular da Universidade. Márcio ressalta que o problema ocorre todos os anos e sempre na mesma época e diz que por isso é importante que o Campus tenha um programa de ação contínua, para não ser surpreendido com algo já rotineiro.
“De modo geral, mesmo já se sabendo previamente, quando se inicia o ciclo maior da epidemia as medidas são sempre emergenciais e se resumem basicamente em espalhar veneno pelo Campus. E então surgem mais problemas, uma vez que estamos em uma universidade, onde há pesquisas. Muitos laboratórios não podem ter proximidade com esse veneno, que pode comprometer resultados”.
Professor da disciplina e vice-coordenador do Núcleo da Agenda Ambiental da UnB, Fernando Carneiro, lembra também que as ações pontuais visando apenas eliminar os mosquitos são mesmo pouco eficazes. “Estava programado o uso do carro fumacê aqui no Campus, que pulveriza veneno no ambiente. Pedimos ao prefeito que a medida fosse suspensa, tanto porque é algo prejudicial ao ambiente e quase ineficaz no combate quanto para mostrar que o caminho da prevenção traz melhores resultados”.
Informação com ação
Se o projeto der certo a tendência é que as fronteiras sejam expandidas. A decana da Faculdade de Comunicação e membro do Núcleo da Agenda Ambiental da UnB, Dione Moura, participa do projeto na parte de divulgação e montagem do mapa de dados. A intenção é criar um blog com informações sobre o programa e divulgá-lo através das redes sociais, a fim de tornar o trabalho realmente abrangente.
“O que nos interessa é a informação que gera ação. Ter informações sobre a dengue e continuar sem fazer nada não adianta”, afirma. Para explicar a ideia aos alunos, Dione fez alusão à atual situação de algumas cidades brasileiras. “É como o caso das chuvas de verão. Todos sabem dos estragos que provocam, mas ao longo do ano não fazem nada que os impeça. Sem atitude, o problema volta a se repetir”.
Além das informações objetivas, também farão parte do material do programa na internet depoimentos de integrantes da comunidade acadêmica afetados pela dengue, como o próprio vice-diretor da Faculdade de Ciências da Saúde, Edgar Hamann. O professor foi contaminado em abril do ano passado. Como é morador da Colina e trabalha no prédio da FS, é grande a probabilidade de ter  contraído o vírus na UnB.
“Não posso precisar onde foi, mas que foi na UnB, disso não há dúvidas. Na Colina houve outros casos. Minha vizinha da frente teve dengue e ouvi falar de outras pessoas também. O abandono dos prédios facilita. Os próprios parquinhos em más condições. Tudo isso pode abrigar focos”, afirma. Edgar conta que sofreu com os sintomas por quase uma semana e teme adquirir a doença uma segunda vez.
“Já estou em um grupo de risco. Se ocorrer uma segunda vez fica complicado. E na UnB não é difícil, porque tem muitos mosquitos”. Ele diz ter esperanças de que o esforço conjunto amenize a situação, mas alerta: “O indivíduo não pode relaxar achando que já estão fazendo o trabalho por ele. Todos têm de checar seus ambientes”.
Continuidade
Um protótipo do mapeamento e as conclusões dos estudantes sobre o trabalho pelo Campus Darcy Ribeiro serão apresentados na próxima sexta-feira, 21, em um seminário aberto à comunidade no Auditório 2 da Faculdade de Ciências da Saúde, às 8h.
Foto por Rafael Oliveira
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Localizar focos do mosquito e ensinar alunos
e funcionários as formas de combate à doença
são os objetivos do projeto
O seminário faz parte do programa contínuo de combate e prevenção à dengue na UnB e contará com a presença de representantes dos campi de Planaltina, Gama e Ceilândia, bem como dos núcleos de extensão da Universidade, Prefeitura e HUB. Estará por lá também um comitê da Vigilância Ambiental do DF.
No dia 28, em novo seminário, entre outras ações, será proposto pelo Decanato de Extensão a implementação de um projeto de extensão para bolsistas, que começará a valer a partir do próximo semestre. O projeto será voltado exclusivamente para as discussões de combate e prevenção à dengue.

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