quarta-feira, 25 de maio de 2011

Governo tem que eliminar lixão até 2014

Ibram apresenta projeto
Governo tem que eliminar lixão até 2014 ou vai ficar sem verbas federais
         Fonte: Google

Ana Paula Andreolla

O Governo do Distrito Federal começa a se preocupar com os prazos impostos pelo Governo Federal para a extinção dos lixões em todo o País. A ameaça é de que, se algum município chegar em 2014 ainda depositando seu lixo a céu aberto, haverá corte de verbas por parte do Governo Federal. Por isso, o DF agora precisa correr contra o tempo para se livrar do Lixão da Estrutural e promover um sistema de lixo urbano mais rentável, diferente do atual, que só recicla 2% das 2,6 toneladas de lixo que são coletadas diariamente. Um novo modelo está previsto para entrar em ação em 2013.

Preocupada com essa questão, a Secretaria de Meio Ambiente e o Instituto Brasília Ambiental (Ibram) convidaram o especialista da
Universidade de Brasília (UnB) Paulo Celso dos Reis Gomes, para assumir o cargo de assessor de Planejamento do Ibram e auxiliar na elaboração de um projeto de resíduos sólidos para o DF, que foi apresentado ontem ao Conselho do Meio Ambiente (Conam) e deve sair do papel até o final de 2012 ou início de 2013.

Uma das principais mudanças do novo projeto é que ele prevê o desligamento total do Lixão da Estrutural. O novo lugar que vai receber os resíduos sólidos do DF vai ser construído em Samambaia: um aterro sanitário, conforme prevê a lei de resíduos sólidos aprovada em 2010. Mesmo assim, o assessor garante que, com isso, o DF não estará apenas transferindo o lixão de lugar. "Vai ser um aterro, e não um lixão. Não existe isso de que o lixão vai mudar de lugar. O lixão vai ser extinto, e o lixo, tratado", promete.
O edital para a licitação de empresas interessadas na construção do aterro garante uma concessão de 22 anos, e deve ser lançado já em maio. Depois de licitada, a empresa tem o prazo de um ano para inaugurar o aterro.

A promessa do novo sistema de tratamento de lixo prevê, dentro do projeto, que o DF vai saltar de 2% para 80% o índice de resíduos reutilizados. Para atingir esse objetivo, deve ocorrer um reequipamento nove vezes maior do que o atual, que hoje conta apenas com três equipamentos públicos, o lixão e duas usinas, a da L4 e de Ceilândia.

USINAS
Também estão previstas a construção de quatro usinas de tratamento de resíduos, 12 unidades de triagem, um sistema integrado de coleta seletiva, sete áreas de trans-bordo e um polo de reciclagem.

Além de trazer essas melhorias, o novo modelo também busca descentralizar a gestão do sistema de lixo urbano do DF. De acordo com Paulo Gomes, cerca de três empresas são responsáveis por gerir todo o lixo que custa quase R$ 400 milhões anuais ao bolso do GDF. "São três empresas apenas que gerem todo esse dinheiro. A ideia é distribuir em 27 ações diferentes, não ficar restrita só nesses três. Assim, teremos um melhor aproveitamento do lixo do Distrito Federal, que pode se tornar muito mais rentável e aproveitado, e até baratear seu custo para o GDF", opina o assessor. "Se descentralizarmos esses recursos, e integrarmos essas 27 ações, poderemos transformar o sistema de lixo do DF em um exemplo. Nosso único problema é o lixão, e isso vai ser resolvido até 2013".

SAIBA +
Segundo a Secretaria de Meio Ambiente, o novo modelo de gestão foi desenvolvido para adequar a realidade do DF à Política Nacional de Resíduos Sólidos, cuja aprovação foi em 23 de dezembro de 2010.

Pela política nacional, a valorização dos catadores, como parte integrante do processo,
além de políticas de redução, reutilização e reciclagem dos resíduos, além da disposição final em aterro está amplamente contemplada no plano do DF, ainda de acordo com a secretaria. A meta do novo modelo de gestão é chegar aos 80% de reutilização do lixo do DF.

DF sem preparação

O DF não está preparado para que seja realizada a coleta seletiva de lixo em todo o seu território.Éoque admite o assessor de planejamento do Instituto Brasília Ambiental (Ibram), Paulo Celso dos Reis Gomes. De acordo com ele, se a coleta de lixo fosse implementada hoje, diariamente, muitos caminhões de lixos teriam de seguir para Belo Horizonte, lugar mais próximo da capital com estrutura para receber esse material.
O assessor informa ainda que é a falta dessa estrutura que impede a coleta seletiva no DF. "Nós teríamos condições de começar uma coleta seletiva na semana que vem, se nos pedissem. Coletar o lixo separadamente não é o problema. O problema é o que fazer com esse material. Se fizéssemos a coleta seletiva de lixo hoje, em nada resultaria, pois tudo iria para o lixão", informa o assessor.

Além disso, de acordo com Gomes, antes de implementar a coleta seletiva, o DF precisa preparar a demanda e a oferta para o material para impedir a quebra do sistema. "Hoje os catadores de lixo recebem cerca de cem toneladas de material. Se esse volume passar para 800 toneladas do dia para a noite, o sistema quebra, porque eles terão mais trabalho e o custo vai ser barateado. Vão trabalhar mais para ganhar menos".

INDÚSTRIAS
Uma das medidas adotadas no projeto para evitar que o sistema quebre com a implementação da coleta seletiva de lixo é a construção do polo de indústrias de reciclagem. "Nesse polo, cada indústria vai atuar desempenhando um papel diferente no processo de reciclagem. Por exemplo, uma pode preparar o material para ser moldado, outra pode comprar esse material e transformar em mesas e cadeiras, por exemplo, e por aí vai", ressalta Gomes. "Poderão atuar nesse polo todas as indústrias interessadas em explorar".

Outra proposta que Gomes também pretende implementar é a de estipular uma porcentagem mínima para que as obras do GDF sejam executadas com entulho reciclado. "Só o PAC da mobilidade, por exemplo, tem um recurso de mais de R$ 2 bilhões. Se 1% disso for feito com material reciclado, já temos mercado para a coleta seletiva do DF. Essa é uma das maneiras de garantir que o sistema não quebre".

Fonte: http://www.unb.br/noticias/unbagencia/cpmod.php?id=88691
Fonte da imagem: postada por Luciana Ribeiro/Google. 
Imagens/Fonte: Google
                                           

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