quarta-feira, 29 de junho de 2011

Pesquisa encomendada pelo Instituto Alana


Comida não é brinquedo

Imagem acrescentada:Google

Especialistas defendem a regulação da publicidade para evitar influência negativa na alimentação das crianças; para nutricionista, isso não deve isentar os pais de seu papel
27/06/2011 | 00:00 Bruna Komarchesqui, especial para o JL
Pesquisa do Instituto Datafolha aponta que 76% dos pais brasileiros enxergam na publicidade de alimentos ultraprocessados – ricos em sal, gordura, açúcar e com baixo valor nutricional – um fator que atrapalha na hora de promover a alimentação saudável em casa. O estudo foi encomendado este ano pelo Projeto Criança e Consumo, do Instituto Alana, organização sem fins lucrativos que tem como missão promover a assistência social, a educação, a cultura, a proteção e o amparo da população.
“O que sabemos é que a publicidade de alimentos interfere, sim, e bastante na formação de hábitos alimentares. Essas peças dialogam muito com as crianças, incentivando o consumo excessivo e habitual”, argumenta a advogada do projeto, Tamara Amoroso Gonçalves. Nesta quinta-feira ela faz palestra em Londrina sobre aspectos éticos e legais da publicidade dirigida a crianças.
“Tem muita propaganda enganosa”
Para a nutricionista Valéria Mortara, um dos pontos que deve entrar em discussão na regulamentação da publicidade alimentar diz respeito à alegação de propriedade nutricional. “Tem muita propaganda enganosa. Um Danoninho não vale por um bifinho, até porque ele é cálcio e o bife é ferro. Uma criança que está anêmica não deveria ficar comendo Danoninho, porque ele atrapalha a absorção do ferro”, exemplifica. Valéria também defende que os pais deem o exemplo na hora das refeições, comendo sentados à mesa, sem televisão ligada. “É importante voltar a criar as refeições dentro de casa em horário certo. E, se nesse horário certo, uma ou duas vezes por semana for uma besteira, não tem problema. Ontem eu jantei cachorro quente”, confessa.
A advogada Tamara Gonçalves lembra que é fundamental dialogar com o filho, estabelecendo limites e desmistificando algumas ideias vendidas na propaganda. “Ao levar a criança ao mercado, é bom fazer acordos – ‘olha, não vamos comprar todos esses produtos, vamos comprar apenas alguns’ – e cumprir esses acordos. Não é tiranizar, mas pensar na questão do excesso. O problema é o consumo excessivo e habitual.”
Segundo Tamara, levantamento feito pelo Projeto Criança e Consumo em 2010 apontou que em 10 horas de programação de tevê houve mil inserções publicitárias. “Uma pesquisa da Universidade de Brasília (UnB) diz que a publicidade dos ultraprocessados representa quase 90% da publicidade de alimentos feita na televisão brasileira. Se levarmos em consideração que uma criança brasileira assiste a cinco horas de tevê por dia, é um número bastante significativo”, avalia.
Para a advogada, embora ainda não haja uma normativa que trate especificamente da publicidade de alimentos, a atual legislação já em vigor reprime o direcionamento de qualquer forma de publicidade para as crianças, o que não é um entendimento consensual ou majoritário dentre os juristas. “Como a lei é um texto aberto, permite diversas interpretações. Nós entendemos que já é proibido. A legislação que trata de criança e adolescente não traz menção explícita à publicidade, por isso, fazemos uma leitura da Constituição Federal e do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), em conjunto com o Código de Defesa do Consumidor”, explica Tamara.
A nutricionista Valéria Arruda Mortara, que trabalha em duas escolas particulares de Londrina, diz acreditar que a necessidade de regulamentação da publicidade alimentar é fundamental, mas não deve ser desculpa para que os pais se isentem de seu papel. “A criança não vai enfiar a carteira embaixo do braço e comprar, é o pai que faz isso, na necessidade de atender ao desejo.” De acordo com ela, a criança não tem noção do valor nutritivo e acaba atraída por detalhes como o brinquedinho que acompanha o alimento. Por isso, os pais precisam aprender a dizer “não”, na medida certa. “Não é querer fazer o filho comer arroz integral, porque ele não vai se acostumar. Mas é ter dia para as coisas, ter controle, ter horário certo para comer”, explica. Nesse sentido, equilíbrio é fundamental. Não há problema, segundo a nutricionista, em comer três bolachas no lanche da tarde, duas vezes por semana. “O erro é sempre na dose”, diz Valéria.

Na casa de Silvia França, “porcarias” só nos fins de semana

Mãe de Lia, de 5 anos, e João, de 1 ano, Sílvia França é o que se pode definir como uma mulher atenta à alimentação dos filhos. Ela conta que sempre ofereceu muitas frutas e legumes às crianças e faz questão de dar o exemplo, comendo salada e produtos saudáveis. “O João raramente come açúcar, só quando vamos a alguma festinha mesmo. A Lia foi tomar refrigerante apenas aos 2 anos de idade. Ela adora salada, come antes das refeições e, muitas vezes, temos que brigar para que ela coma mais comida, porque, se deixar, come só salada.”
Sílvia diz que costuma fazer uma média semanal com a alimentação dos filhos. “Se um dia eles não querem carne, no outro comem um pouco mais.” Até o pequeno João come o mesmo que o restante da família. “Eu pego a comida normal da casa, com o mesmo tempero, para a papinha dele”, diz. Após o almoço, a sobremesa, em geral, é uma fruta.
E como fazer com as guloseimas anunciadas na tevê? De acordo com Silvia França, até pode, mas de vez em quando. “A Lia vê pouca televisão, porque até isso é negociado. Ela pode assistir a dois programas do Discovery Kids de manhã e o Sítio do Picapau Amarelo à tarde”, diz. A saída da mãe aos apelos televisivos é oferecer as chamadas “porcarias” – chocolate, pirulito e balas – somente nos fins de semana. A exceção é o sorvete. “O sorvete ela pede toda vez que vê, porque é muito liberado em casa. Costumo comprar palitos de fruta e também de chocolate, que todo mundo gosta”, confessa.
Serviço:
A palestra “Impactos da Publicidade Dirigida a Crianças e Adolescentes: Questões Éticas e Legais”, com a advogada Tamara Gonçalves, ocorre quinta-feira, a partir das 19h30 no hotel Blue Tree (JK, 1. 356). Mais informações, (43) 3371-0200.


Fonte:http://www.jornaldelondrina.com.br/online/conteudo.phtml?id=1141100


Acesse para saber mais sobre O INSTITUTO ALANA/lutando para defender os direitos da criança:http:http://www.alana.org.br/

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