quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Consumo Sustentável XIV: O Consumismo Infantil que vira doença

                                                               No dia 9 de agosto será realizado na Câmara dos Deputados, em Brasília, o "1º Seminário Infância Livre de Consumismo – Por uma proteção legislativa da criança frente aos apelos mercadológicos".
O evento, proposto pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara (CDHM), abordará questões como a proteção especial e integral da infância frente aos apelos de consumo; a publicidade de alimentos direcionada ao público infantil e a publicidade infantil versus liberdade de expressão, tendo como objetivo debater formas de promover uma proteção legislativa da criança frente aos apelos mercadológicos.
Para justificar o evento a CDHM citou a hipervulnerabilidade das crianças nas relações de consumo. ... "O discurso mercadológico dirigido à criação de desejos de consumo entre as crianças é um discurso feito por adultos altamente especializados, dotados de capacidade econômica e instrumental midiático, contra o qual a comunidade, a família e a própria criança estão indefesas"...
Na verdade o tema vem sendo debatido globalmente, com propostas de legislações que buscam equilibrar as relações de consumo que envolvem as crianças em diversos países, como os Estados Unidos e os membros da União Européia, enquanto no Brasil essas leis ainda são inexistentes.
Ninguém nasce consumista.
O consumismo nada tem de habitual, mas é orgânico e fruto do capitalismo. Mas para que não haja qualquer tipo de mal estar ideológico , posso modificar as palavras, estamos diante de um modelo econômico falido, e que se mostra cada vez mais incapaz de resolver as crises e pior ainda criando mais crises.
Hoje, todos que são impactados pelas mídias de massa são estimulados a consumir de modo inconseqüente.

No entanto as crianças são mais vulneráveis e sofrem cada vez mais cedo com as graves conseqüências relacionadas aos excessos do consumismo: obesidade infantil, erotização precoce, consumo precoce de tabaco e álcool, estresse familiar, banalização da agressividade e violência, entre outras. Nesse sentido, o consumismo infantil é uma questão urgente, de extrema importância e interesse geral.
De acordo com estatísticas, as crianças brasileiras passam em média 4h45minutos por dia na frente da TV. Estudos mostram que 25% das crianças assistem a TV 4(quatro) ou mais vezes por dia (classificadas como "consumidores frequentes"). Esses dados mostram o quanto a mídia, em especial a televisão, tem a possibilidade de atingir de forma imediata, extensiva e eficaz, especialmente o público infantil e adolescente com campanhas positivas ou negativas sobre corpo, imagem corporal, diversidade, atividade física saudável etc.
A publicidade na TV é a principal ferramenta do mercado para a persuasão do público infantil, que cada vez mais cedo é chamado a participar do universo adulto quando é diretamente exposto às complexidades das relações de consumo sem que esteja efetivamente pronto para isso.
Não é por acaso que o consumismo está relacionado à idéia de devorar, destruir e extinguir. Se agora, tragédias naturais, como queimadas, furacões, inundações gigantescas, enchentes e períodos prolongados de seca, são muito mais comuns e freqüentes, foi porque a exploração irresponsável do meio ambiente prevaleceu ao longo de décadas.
E desta forma as crianças aprendem a consumir de forma inconseqüente e desenvolvem critérios e valores distorcidos.
Acreditamos que os danos causados pela lógica insustentável do consumo irracional podem ser minorados e evitados, se efetivamente a infância for preservada em sua essência como o tempo indispensável e fundamental para a formação da cidadania. Indivíduos conscientes e responsáveis são a base de uma sociedade mais justa e fraterna, que tenha a qualidade de vida não apenas como um conceito a ser perseguido, mas uma prática a ser vivida.
A questão é também de saúde pública. Fiscalizar as propagandas e comércio de alimentos industrializados, medicamentos e produtos com alegações para controle e redução de peso, por exemplo.
É necessário um intenso controle quanto às informações essenciais contidas nos alimentos possibilitando uma escolha mais saudável.
Além disso é preciso que existam leis regulamentando os lanches em escolas particulares já que na rede pública já existe a Lei nº 11.947 de 16 de junho de 2009, inclusive nascida de uma medida provisória editada pelo Presidente Lula, que dispõe sobre o atendimento da alimentação escolar.

A publicidade não deve ser banida pois estamos num Estado Democrático de Direito mas devem respeitar certos limites éticos e leis como o Estatuto da Criança e do Adolescente e a própria Constituição Federal.
Podemos mudar e temos exemplos de sucesso envolvendo publicidade. Na Austrália, a ministra da juventude anunciou um investimento grande em estratégias de imagem corporal positiva. Uma das estratégias foi criar um Código de conduta midiática, onde propagandas para crianças e adolescentes passam por uma banca de autoridades em imagem corporal para ver se o conteúdo é adequado, contendo: diversidade de formas corporais, cuidados com imagens digitalmente alteradas e melhoradas, modelos saudáveis e exposição adequada.

No Brasil ainda temos pouca experiência em publicidade positiva para a prevenção de obesidade e problemas alimentares. Estamos insistindo no foco do emagrecimento e perda de peso desde 1970, quando a ética da dieta começou a predominar, e só vemos os números da obesidade e transtornos alimentares crescerem. Ideal seria uma integração de políticas públicas em parceria com a publicidade, propostas caminhando na mesma direção, sem conflito entre as informações aprendidas na escola e as internalizadas pelo indivíduo através de publicidade negativa que aqui no Brasil, infelizmente, ainda é muito frequente.


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