terça-feira, 11 de setembro de 2012

Homenagem ao Dia do Cerrado




                                                                     O CERRADO


                                                           Poema de Antonio Miranda


                                                          Ilustração “Canela de Ema”

                                                           de ÁLVARO NUNES

Antes era o Cerrado

desterrado

no planalto insondável

ou indomável,

era a vastidão ondulante

e enorme. Inescrutável.



Informe a terra aos seus desígnios,

buritis errantes sobre os ermos

charcos isolados,

plantados sob nuvens passageiras.

Nuvens como plumagens derradeiras

chovendo a intervalos.



Interstícios, vestígios vegetais.



Redemoinhos elevam-se

nos horizontes minerais

sinais montes trilhas.

Jamais.



Um resto de umidade

no ar,

flores secas

queimadas

lambendo horizontes

reiteradamente.



Do alto desde Planalto Central

mil vertentes, entranhas,

cavernas de luzes escondidas,

animais.



Dessas águas emendadas

nas direções dos pontos cardeais

em demanda de todos os brasis.

Infinitos.



Riachos temporários, subterrâneos,

Pedregosos, resvaladouros, solitários.

Solo de bandeirantes,

retirantes.



Dos encontros impossíveis,

das monções e entradas ancestrais,

dos refúgios e abandonos.

Haveremos de rever

a sua rochosa ossatura,

registros prematuros de Varnhagen.

Visões e revisões

Geopolíticas.

Sertões.



Nesses paralelos de mel e de leite

da Terra Prometida.

Nos confins de serras cristalinas,

meridianos estivais,

paisagens marinhas de artifícios,

como ondas petrificadas,

sacrifícios.

Passagens nacionais

em todas as direções:

tropeiros, mascates,

garimpeiros.

Passa um, passa boiada,

passa tempo

cavalhada

cavaleiros coloniais.

Goiás. Brasil.


De CANTO BRASÍLIA.  Brasília: Thesaurus, 2002.

Nenhum comentário:

Postar um comentário