sexta-feira, 19 de outubro de 2012

59% dos brasileiros não evitam uso de sacolas plásticas

                                              
                                                                      19/10/2012
Estudo feito neste ano foi encomendado pelo Ministério do Meio Ambiente.
No levantamento, 48% dos brasileiros afirmam separar o lixo doméstico.

Maria Angélica Oliveira Do G1, em Brasília

Em mercado de Brasília, fregueses preferem sacolas de plástico às de pano reutilizáveis, vendidas por R$ 10 (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr)Em mercado de Brasília, fregueses preferem
sacolas de plástico às de pano reutilizáveis,
vendidas por R$ 10 a unidade
(Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr)

Pesquisa divulgada pelo Ministério do Meio Ambiente nesta quinta-feira (16) aponta que 30% dos brasileiros dizem que sempre evitam usar sacolas plásticas para transportar compras e 59% dizem nunca ter feito isso. Cerca de 11%, segundo o ministério, praticam isso "pouco". A pesquisa foi encomendada pela pasta para conhecer os hábitos de consumo sustentável no país e ouviu 2.201 pessoas em suas casas em todas as regiões do Brasil, entre 15 e 30 de abril deste ano.

Os entrevistados também foram questionados se levam a própria sacola ou carrinho na hora de fazer compras: 31% disseram que esse é um hábito frequente, 11% o praticam pouco e 58% disseram que nunca fizeram isso.

Segundo dados do ministério, 19 municípios no Brasil aboliram o uso de sacolas plásticas como medidas de consenso entre governos e supermercados. Já outras cidades ou estados criaram leis para proibir as sacolas plásticas e algumas enfrentam disputas judiciais, como o estado de São Paulo.

Dentre os entrevistados, 35% disseram que há alguma campanha para redução do uso de sacolas plásticas em suas cidades e, onde há campanha, 76% disseram ter aderido. Já onde não há campanha, 85% afirmam que estariam dispostos a aderir, se houvesse.

Ainda dentro do supermercado, 85% dizem que ficariam mais motivados a comprar um produto que tenha sido fabricado de maneira "ambientalmente correta" e 81% também se motivam mais a comprar um produto cultivado organicamente.

Para a secretária de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental do ministério, Samyra Crespo, as sacolas são um "flagelo ambiental". "Ela mata animais porque os animais aquáticos confundem a sacola com comida, ela serve de amarra para vários tipos de lixo flutuante, formando aquelas ilhas de lixo em corpos d'água, elas voam e vão parar em postes e cercas, danificando a paisagem, elas estão associadas a enchentes nas cidades e elas evitam que o lixo que a gente joga fora se degrade", argumenta a secretária.

Segundo ela, uma sacola plástica pode levar até 400 anos para se decompor. "Provavelmente, a primeira sacola plástica que um brasileiro usou, e isso foi nos anos 70, ela ainda está na natureza", disse.
saiba mais

    Pinguim é encontrado morto com sacola enrolada no pescoço no ES
    Justiça decide que mercados não precisam mais oferecer sacolinhas em SP
    Procon proíbe venda de sacolas biodegradáveis em Belo Horizonte
    Campanha pretende poupar em 6 meses 300 milhões de sacolas no RS

Lixo doméstico
A pesquisa também mostrou que 48% afirmam separar o lixo doméstico. Para Samyra, o número poderia ser maior se mais governos implantassem a coleta seletiva. "Muitas vezes a disposição da população em separar o lixo não encontra um rebatimento na política pública porque hoje temos menos de um terço dos municípios praticando a coleta seletiva. Muitas vezes o cidadão acha que ele separa em casa e o misturador da prefeitura vai lá e mistura o lixo de qualquer jeito, não incentivando a população a separar."

A pesquisa listou ainda hábitos desfavoráveis ao meio ambiente no descarte do lixo. O campeão foi jogar pilhas e baterias no lixo (41% dizem praticar sempre), seguido de vidros ou cacos de vidro (36% afirmam fazer isso com frequência).

Por outro lado, os brasileiros também estão adotando hábitos para reduzir o consumo em favor do meio ambiente. Entre os entrevistados, o conserto de algum produto quebrado para prolongar sua vida útil foi a "boa ação" mais citada. Em segundo lugar ficou o fato de evitar o lixo comum produtos tóxicos.

Problemas ambientais
O estudo apontou ainda que, em 20 anos, o percentual de pessoas que não sabe identificar os problemas ambientais caiu de 47% para 10%. A primeira edição da pesquisa "O que o brasileiro pensa do meio ambiente e do consumo sustentável" foi feita em 1992, à época da conferência ambiental Rio 92. "Triplicou a quantidade de brasileiros que sabem responder sobre problemas ambientais", disse a secretária.

Os entrevistados também foram questionados sobre quais biomas estão ameaçados e se estariam dispostos a contribuir com dinheiro para protegê-lo. Mais da metade - 51% - apontaram a Amazônia. Em 92, essa região era a escolhida de 38%.

Somente 13% se sentem bem informados ou muito bem informados sobre meio ambiente e ecologia. Na outra ponta desta questão, 29% dizem estar mal informados ou muito mal informados. A maior parte dos entrevistados - 57% - disse estar "mais ou menos informado".

A pesquisa foi feita por amostragem pelo instituto CP2 em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) com 2.201 entrevistas com pessoas maiores de 16 anos. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais, para mais ou para menos.

Fonte: http://g1.globo.com/

Nenhum comentário:

Postar um comentário