sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Entrevista com o Professor Henrique Torres -SEDF



 
                                               Educação Ambiental como política pública

                                                05/12/2012
                                              Por Luciana Ribeiro
                                              Foto: Luciana Ribeiro
Divulgar a implementação de políticas sobre educação para a sustentabilidade, por meio da SEDF, tornara-se um dos desafios para o chefe e para a equipe técnica (Angela Martins e Josy Ribeiro) do Núcleo de Educação Ambiental (NuEdAmb) de SEDF, ou seja, validar o debate dos problemas e das soluções socioambientais tem sido um passo importante para assegurar a participação da comunidade escolar (comunidade, alunos, professores, auxiliares e gestores) na elaboração e execução de projetos educativos que abordam o uso sustentável de água, petróleo, reciclagem do lixo, entre outros, para a construção de uma escola sustentável.

Os conhecimentos que fortalecem o debate sobre políticas públicas voltadas para a sustentabilidade no DF são imprescindíveis para a educação brasiliense e do Brasil, por isso convidei o Professor Henrique Rodrigues Torres para prestar informações sobre o assunto.

Segue a entrevista com o chefe do Núcleo de Educação Ambiental (NuEdAmb) da SEDF:

Luciana Ribeiro - Sabe-se que a educação ambiental é desenvolvida nos currículos escolares de forma interdisciplinar, ou seja, ela articula-se entre os conhecimentos científicos (Geografia, Matemática, Ciências, etc.). Existe alguma proposta pedagógica para que se torne uma disciplina obrigatória?

Professor Henrique Torres - Não, pois a Política Nacional de Educação Ambiental (Lei nº 9.795, de 27 de abril de 1999) proíbe esta prática no ensino infantil, fundamental e médio. A faculta para o ensino profissionalizante e superior, conforme transcrito:

“Art. 10. A educação ambiental será desenvolvida como uma prática educativa integrada, contínua e permanente em todos os níveis e modalidades do ensino formal.
§ 1o A educação ambiental não deve ser implantada como disciplina específica no currículo de ensino.
§ 2o Nos cursos de pós-graduação, extensão e nas áreas voltadas ao aspecto metodológico da
educação ambiental, quando se fizer necessário, é facultada a criação de disciplina específica.
§ 3o Nos cursos de formação e especialização técnico-profissional, em todos os níveis, deve ser
incorporado conteúdo que trate da ética ambiental das atividades profissionais a serem desenvolvidas.
(...)”

Luciana Ribeiro - De que forma as questões ambientais inerentes à dengue, ao lixo, à água e ao solo são desenvolvidas para resolver os problemas de degradação ambiental e vários outros que prejudicam a saúde do planeta Terra?

Professor Henrique Torres - Todas as abordagens da Educação Ambiental Formal devem ser feitas de forma holística, sistêmica e interdisciplinar. Estes conceitos ajudam a entender que todos os elementos da natureza estejam em permanente contato e interdependência. Assim, quando falamos do lixo, por exemplo, temos que falar do ciclo de vida dos produtos que perpassa o uso da água, do solo, etc., como insumo na produção e como depositário dos resíduos industriais, entre outros. Portanto, esperamos que a educação ambiental contribua para a formação do ser em sua integralidade, visualizando o ecossistema do universo por meio do pensamento ético de que as ações locais têm reverberação no globo e virse e versa.

Luciana Ribeiro - Como as exigências da Política Nacional dos Resíduos Sólidos (PNRS) – Lei aprovada em agosto de 2010 - estão sendo divulgadas e debatidas entre os educadores do DF? Quais são os trabalhos pedagógicos que foram selecionados para minimizar os impactos nos lixões da cidade?

Professor Henrique Torres - A Política Nacional dos Resíduos Sólidos traz a perspectiva da gestão, nas escolas procuramos incentivar uma educação voltada para o consumo consciente. Pensar na ação antes da geração do resíduo é nosso objetivo. Assim, esperamos que tenhamos uma sociedade que pense o consumo em todo o processo, no ciclo de vida do produto, tal como na lógica dos 3R’s e da Logística Reversa.

Luciana Ribeiro - Quais foram os benefícios da Reunião Rio +20 para as escolas do DF? As escolas de Brasília tiveram a oportunidade de sugerir soluções educativas para a preservação do meio ambiente?

Professor Henrique Torres - A Rio+20 para as escolas e educadores ambientais começou em 2008 com a II Jornada Internacional de Educação Ambiental para Sociedades sustentáveis com Responsabilidade Global. Esta Jornada debateu um novo plano de ação para o Tratado de Educação Ambiental para Sociedades sustentáveis com Responsabilidade Global escrito na ocasião da Rio 92. Este documento norteia a elaboração dos programas, projetos e ações, tal como a prática da educação ambiental formal deve partir das demandas socioambientais da sociedade em que esta inserida.

Luciana Ribeiro - Quais são os cursos, as palestras, os seminários, e os fóruns divulgados para os educadores de Brasília? Quais são as redes de contatos para que eles tenham acesso às informações referentes à sustentabilidade no Brasil e no DF?

Professor Henrique Torres - A SEDF possui a Escola de Aperfeiçoamento dos Profissionais de Educação (EAPE) que voltou, em 2012, a oferecer cursos na área de coleta seletiva e hortas como instrumentos pedagógicos. Além disso, tivemos a 1ª Câmara Técnica do Fórum Permanente de Educação Ambiental da SEDF e, também, cursos para nossos profissionais desenvolvidos com diversos parceiros, entre eles o “Reeditor Ambiental”, do IBRAM. Em 2013 buscaremos ampliar esta oferta e formar redes regionais que possam oferecer suporte a prática pedagógica em educação ambiental.

Luciana Ribeiro - Os cursos de Pedagogia serão redimensionados ou replanejados para melhorar a formação continuada dos educadores do DF na área que trata dos assuntos socioambientais?

Professor Henrique Torres - A formação continuada oferecida pela EAPE busca renovar conceitos e práticas, tal como diminuir um déficit oriundo da graduação nas diversas licenciaturas. A impressão é que a mercantilização da educação superior causou o encurtamento dos cursos, prejudicando os conteúdos básicos e a prática docente. Esperamos que o Projeto Político Pedagógico Carlos Motta e o novo Currículo da Educação Básica da SEDF, este segundo em elaboração, possam induzir mudanças necessárias para podermos alcançar uma melhor qualidade na educação, visto que a universalização é um fato.

Luciana Ribeiro - O Núcleo de Educação Ambiental (NuEdAmb) da SEDF propõe projetos socioambientais para as comunidades de Brasília (analfabetos, padeiros, donas de casa, etc.)? Quais são eles?

Professor Henrique Torres - O Núcleo de Educação Ambiental vinculado a Subsecretaria de Educação Básica da SEDF foi criado em dezembro de 2011, a primeira ação foi diagnosticar como a educação ambiental formal é encaminhada na rede pública de ensino. Diante dos dados, buscamos reforçar e dar visibilidade as práticas, assim entendemos que haverá a valorização da temática e do profissional. Para 2013, iremos estruturar as diretrizes e orientações pedagógicas das práticas constatadas e, assim, começaremos caminhar para a implementação dos espaços educadores e das escolas sustentáveis.

Luciana Ribeiro - Quais são os instrumentos pedagógicos mais utilizados para os educadores implementarem a ecologia prática no contexto escolar?

Professor Henrique Torres - Em 2012 o Núcleo de Educação Ambiental da SEDF realizou um diagnóstico com, aproximadamente, 52% da rede pública de ensino. Destas, 60% disseram possuir projetos e ações na temática ambiental, destas 30% disseram utilizar as hortas escolares e 30 % disseram utilizar a coleta seletiva como instrumento de educação ambiental.

Luciana Ribeiro - Como você avalia a participação dos educadores que desenvolvem trabalhos e projetos voltados para a preservação ambiental no DF?

Professor Henrique Torres - O desenvolvimento de ações de educação ambiental na rede pública de ensino do DF se caracteriza pela dedicação heroica de nossos professores e professoras, muitas vezes gastando do seu próprio dinheiro e tempo. Entendemos que esta realidade deve caminhar para mudança a partir de 2013. Para receberem o suporte necessário, as escolas deverão ter os projetos de educação ambiental como uma ação da comunidade escolar, prevista em seu Projeto Político Pedagógico. Assim, esperamos que os projetos tenham eficiência, eficácia, continuidade e participação.

Luciana Ribeiro - Como você avalia o interesse e a participação dos alunos das escolas do DF? Eles optam por fazer algum projeto voltado para a sustentabilidade?

Professor Henrique Torres - No ano de 2012 tivemos a temática ambiental trabalhada em 03 grandes eventos de Brasília, o II Circuito de Ciências da SEDF, a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia do MCT e o Green Move Festival do UPiano e GDF, em todos estes espaços a participação do(as) professores(as) e dos(as) estudantes foi imprescindível para o sucesso dos eventos. Foi notável a empolgação, competência e sentimento de valorização destas pessoas. Além desses eventos, também temos o Projeto “Vídeo Ambiental” sendo desenvolvido em quatro escolas da rede, pelo segundo anos seguido, em uma parceria com o Fundo de Amparo a Cultura da Secretaria de Ciência e Tecnologia do GDF, neste projeto a produção de vídeos socioambientais é marcado pela satisfação e demonstração da potencialidades dos nossos estudantes. Então, a educação ambiental demonstra ser um elemento que vai além do conteúdo, proporciona também a diminuição da evasão e a permanência com êxito pela satisfação em participar do processo educativo e pela conexão com a realidade.

Luciana Ribeiro - Fale sobre suas expectativas futuras concernentes à educação ambiental no DF?

Professor Henrique Torres - Em 2013 teremos o lançamento e implementação de uma política de educação ambiental com a cara da SEDF, conectando atores e propondo um trabalho compartilhado, complementar e contínuo; teremos a formulação e ampla divulgação de diretrizes e orientações pedagógicas para o trabalho com as hortas escolares, consumo consciente, prevenção à dengue, bioma cerrado, entre outros; o levantamento histórico da educação ambiental na SEDF; isto tudo compilado na integra no livro de educação ambiental da SEDF. Para viabilizar a implementação deste instrumentos de gestão, será realizada em Brasília, e nos demais estados do Brasil, a IV Conferência Infanto Juvenil do Meio Ambiente que terá como objetivo a implementação das Com-vida (Comissão de Meio Ambiente e Qualidade de Vida) na escola, Agenda 21 escolar e projetos de Escolas Sustentáveis. Neste momento, a educação ambiental e a valorização da vida, em todas as suas representações, serão o ápice do debate sobre (Com)vivência humana no planeta Terra, mãe Gaia, e nas escolas em toda a rede pública e privada de ensino do DF.
 Acesse o site da Secretaria de Educação do Distrito Federal: http://www.se.df.gov.br/

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